Em 20 anos, seu dinheiro perdeu 68% do valor. Os números mostram quando — e por quê.
Doze indicadores econômicos. Duas décadas. Dados do Banco Central, do DIEESE, da ANP, do IBGE e da FIPE, cruzados e atualizados toda semana. Aqui não tem opinião — tem número. Você tira suas conclusões.
Fontes: BCB (API SGS) · DIEESE · ANP · IBGE (SIDRA) · FipeZAP — Atualizado em 16/03/2026
R$ 100 → R$ 32
Pega uma nota de cem de 2005. Guarda na gaveta. Esquece lá. Agora abre a gaveta — essa nota compra hoje o que R$ 32 compravam naquela época. A inflação acumulada no período? 214%. O salário subiu? O dólar explodiu? A gasolina... bom, a gasolina é uma história à parte. Desce a página ↓
Capítulo 1
A fotografia — de lá pra cá
À primeira vista, o número impressiona. O salário mínimo saiu de R$ 260 pra R$ 1.518 — uma alta de 484%. Só que a inflação comeu 214% nesse mesmo período. Na prática, o ganho real ficou em torno de 86%. O mínimo mais que dobrou de poder de compra. Mas — e esse "mas" é grande — essa melhora não aconteceu de forma uniforme. Teve governo que empurrou pra cima, teve governo que viu o trem passar. E tem coisa que o salário mínimo não conta: aluguel disparou, plano de saúde triplicou, educação virou artigo de luxo. O mínimo subiu, sim. A pergunta é se o resto da vida acompanhou.
Evolução dos indicadores — 20 anos em uma tela
Passe o mouse pra ver os valores. Ligue e desligue os indicadores abaixo.
O gráfico mostra a variação relativa (base 100). Passe o mouse para ver os valores reais de cada indicador.
Capítulo 2
O filme — os momentos que mudaram tudo
Economia não anda em linha reta. Ela dá saltos, tropeça, às vezes despenca de um penhasco. Nos últimos 20 anos, o Brasil passou por pelo menos uma dúzia de momentos que redefiniram os indicadores de uma hora pra outra. Alguns você lembra — pandemia, impeachment. Outros passaram batido, mas mexeram no seu bolso do mesmo jeito. Estes são os marcos. Presta atenção nas datas e cruza com o gráfico lá em cima.
2005–2007
O milagrinho brasileiro
A China comprava tudo que o Brasil plantava e extraía. Soja, minério, petróleo — tudo voando. A Selic caiu de 19% pra 11%, o dólar recuou, o emprego cresceu. O país surfava uma onda que parecia não ter fim. Parecia.
Abril 2008
Brasil vira investment grade
A S&P olhou pro Brasil e disse: 'confiamos'. Em 30 de abril, o país ganhou grau de investimento pela primeira vez. A Fitch veio logo depois. O dólar bateu R$ 1,59 — menor valor em anos.
Setembro 2008
O mundo quebra
Lehman Brothers faliu e levou o planeta junto. O dólar saltou de R$ 1,60 pra R$ 2,39 em três meses. O Banco Central reagiu rápido — derrubou a Selic de 13,75% pra 8,75% em dez meses. O Brasil se safou melhor que a maioria, mas o susto foi real.
2010
O ano dourado
PIB cresceu 7,5% — o melhor resultado desde 1986. Lula saiu do governo com 87% de aprovação. Mais de 40 milhões de brasileiros tinham subido de classe social na década anterior. O país se sentia invencível. Spoiler: não era.
2011–2013
A aposta que deu errado
O governo Dilma fez uma aposta: derrubou a Selic pra 7,25% — menor da história até então — e distribuiu isenção fiscal pra tentar turbinar o crescimento. A inflação não explodiu de cara — ficou na casa dos 6%, cutucando o teto da meta — mas o estrago foi de outro tipo. O mercado perdeu a confiança na política econômica. A indústria, que já apanhava da concorrência chinesa, encolheu. E os investidores começaram a se perguntar: quem tá no controle?
Capítulo 3
O que o IPCA não conta
A inflação oficial mede uma cesta de produtos. Mas qualquer brasileiro sabe que tem coisa que subiu muito mais que a média. O aluguel em São Paulo, por exemplo — o FipeZAP mostra que o m² de locação disparou bem acima do IPCA. A conta de luz? Teve ano (2015, 2021) que a bandeira vermelha sozinha adicionava 30% na fatura. Esses são os custos que o IPCA dilui na média — mas que pesam no bolso de quem paga.
Quando comprar fica caro, alugar fica pior
Selic alta trava o financiamento — e quem não compra, aluga. A demanda sobe, o aluguel acompanha.
(valores normalizados — base 100 no início de cada série)
Exceção: em 2015–2016, a recessão foi tão severa que o desemprego destruiu a demanda por imóveis — mesmo com a Selic em 14,25%, o aluguel caiu. A correlação só vale quando a economia está funcionando.
O teto que sobe
+237%
O índice FipeZAP de aluguel em São Paulo desde 2008. A inflação oficial no mesmo período? Bem menos. Morar ficou mais caro que viver.
O termômetro do emprego
14,9%
Pico de desemprego foi no primeiro trimestre de 2021, em plena pandemia. Mais de 1 em cada 7 brasileiros procurando trabalho e não achando.
Capítulo 4
O que os números revelam
Em 2005, um salário mínimo comprava 1,5 cestas básicas em São Paulo. Em 2025, compra 1,8. O mais básico melhorou. Mas pergunte pro cara que paga aluguel em capital se ele tá vivendo melhor. O mínimo compra mais arroz e feijão — isso os dados mostram. O que eles não mostram é o que ficou mais caro sem ninguém medir direito.
Fonte: Cálculo com dados oficiais do BCB e DIEESE
Selic × Inflação — o cabo de guerra que define sua vida financeira
Quando o Banco Central sobe o juro, a inflação tende a ceder. Mas demora. E o custo é alto — crédito caro, economia travada, emprego sumindo.
O ciclo que ninguém quebra
Juro sobe, crédito encarece, família se endivida, inadimplência explode, economia freia, governo baixa juro, crédito barateia, família se endivida de novo. Repete.
(dados de inadimplência disponíveis a partir de 2011)
O que os dados contam
O salário subiu, mas...
+484%
O mínimo quase quintuplicou em 20 anos. Mas vai no site de aluguel e procura um apartamento com esse salário. A matemática não fecha.
O elefante na sala
R$ 2,69 → R$ 5,45
O dólar mais que dobrou. Tudo que vem de fora — eletrônico, remédio importado, peça de carro, passagem aérea — ficou proporcionalmente mais caro. Quem viajou pra fora em 2005 sabe do que eu tô falando.
A conta que não fecha
49,9% da renda
O brasileiro deve quase metade do que ganha no ano inteiro. Recorde histórico. O salário subiu, mas a dívida subiu junto.
Quando param de pagar
Pico de 4,0%
Inadimplência não é só número — é gente que parou de conseguir pagar. E quando muita gente para ao mesmo tempo, o sistema inteiro trava.
Este projeto é open source. Todo o código do pipeline de dados e do dashboard está disponível no GitHub.
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