Em 20 anos, seu dinheiro perdeu 68% do valor. Os números mostram quando — e por quê.

Doze indicadores econômicos. Duas décadas. Dados do Banco Central, do DIEESE, da ANP, do IBGE e da FIPE, cruzados e atualizados toda semana. Aqui não tem opinião — tem número. Você tira suas conclusões.

Fontes: BCB (API SGS) · DIEESE · ANP · IBGE (SIDRA) · FipeZAP — Atualizado em 16/03/2026

R$ 100 → R$ 32

Pega uma nota de cem de 2005. Guarda na gaveta. Esquece lá. Agora abre a gaveta — essa nota compra hoje o que R$ 32 compravam naquela época. A inflação acumulada no período? 214%. O salário subiu? O dólar explodiu? A gasolina... bom, a gasolina é uma história à parte. Desce a página ↓

Selic (dez/2025)

15,00%

era 18,25% em 2005

Dólar (dez/2025)

R$ 5,45

era R$ 2,69 em 2005

Cesta básica SP (dez/2025)

R$ 845,95

era R$ 172,87 em 2005

Capítulo 1

A fotografia — de lá pra cá

Salário mínimo em 2005

R$ 260,00

vs

Salário mínimo em 2025

R$ 1.518,00

À primeira vista, o número impressiona. O salário mínimo saiu de R$ 260 pra R$ 1.518 — uma alta de 484%. Só que a inflação comeu 214% nesse mesmo período. Na prática, o ganho real ficou em torno de 86%. O mínimo mais que dobrou de poder de compra. Mas — e esse "mas" é grande — essa melhora não aconteceu de forma uniforme. Teve governo que empurrou pra cima, teve governo que viu o trem passar. E tem coisa que o salário mínimo não conta: aluguel disparou, plano de saúde triplicou, educação virou artigo de luxo. O mínimo subiu, sim. A pergunta é se o resto da vida acompanhou.

Evolução dos indicadores — 20 anos em uma tela

Passe o mouse pra ver os valores. Ligue e desligue os indicadores abaixo.

Lula 1
Lula 2
Dilma 1
Dilma 2
Temer
Bolsonaro
Lula 3
Financeiro
Preços
Atividade

O gráfico mostra a variação relativa (base 100). Passe o mouse para ver os valores reais de cada indicador.

Capítulo 2

O filme — os momentos que mudaram tudo

Economia não anda em linha reta. Ela dá saltos, tropeça, às vezes despenca de um penhasco. Nos últimos 20 anos, o Brasil passou por pelo menos uma dúzia de momentos que redefiniram os indicadores de uma hora pra outra. Alguns você lembra — pandemia, impeachment. Outros passaram batido, mas mexeram no seu bolso do mesmo jeito. Estes são os marcos. Presta atenção nas datas e cruza com o gráfico lá em cima.

2005–2007

O milagrinho brasileiro

A China comprava tudo que o Brasil plantava e extraía. Soja, minério, petróleo — tudo voando. A Selic caiu de 19% pra 11%, o dólar recuou, o emprego cresceu. O país surfava uma onda que parecia não ter fim. Parecia.

Selic: 19% → 11%Dólar: R$ 2,69 → R$ 1,77

Abril 2008

Brasil vira investment grade

A S&P olhou pro Brasil e disse: 'confiamos'. Em 30 de abril, o país ganhou grau de investimento pela primeira vez. A Fitch veio logo depois. O dólar bateu R$ 1,59 — menor valor em anos.

Dólar mínimo: R$ 1,59Rating: BBB- (S&P, abr/2008)

Setembro 2008

O mundo quebra

Lehman Brothers faliu e levou o planeta junto. O dólar saltou de R$ 1,60 pra R$ 2,39 em três meses. O Banco Central reagiu rápido — derrubou a Selic de 13,75% pra 8,75% em dez meses. O Brasil se safou melhor que a maioria, mas o susto foi real.

Dólar: R$ 1,60 → R$ 2,39Selic: 13,75% → 8,75%

2010

O ano dourado

PIB cresceu 7,5% — o melhor resultado desde 1986. Lula saiu do governo com 87% de aprovação. Mais de 40 milhões de brasileiros tinham subido de classe social na década anterior. O país se sentia invencível. Spoiler: não era.

PIB: +7,5%Aprovação: 87%

2011–2013

A aposta que deu errado

O governo Dilma fez uma aposta: derrubou a Selic pra 7,25% — menor da história até então — e distribuiu isenção fiscal pra tentar turbinar o crescimento. A inflação não explodiu de cara — ficou na casa dos 6%, cutucando o teto da meta — mas o estrago foi de outro tipo. O mercado perdeu a confiança na política econômica. A indústria, que já apanhava da concorrência chinesa, encolheu. E os investidores começaram a se perguntar: quem tá no controle?

Selic mínima: 7,25%IPCA: ~6% (teto da meta)

Capítulo 3

O que o IPCA não conta

A inflação oficial mede uma cesta de produtos. Mas qualquer brasileiro sabe que tem coisa que subiu muito mais que a média. O aluguel em São Paulo, por exemplo — o FipeZAP mostra que o m² de locação disparou bem acima do IPCA. A conta de luz? Teve ano (2015, 2021) que a bandeira vermelha sozinha adicionava 30% na fatura. Esses são os custos que o IPCA dilui na média — mas que pesam no bolso de quem paga.

Quando comprar fica caro, alugar fica pior

Selic alta trava o financiamento — e quem não compra, aluga. A demanda sobe, o aluguel acompanha.

Selic
Aluguel

(valores normalizados — base 100 no início de cada série)

Exceção: em 2015–2016, a recessão foi tão severa que o desemprego destruiu a demanda por imóveis — mesmo com a Selic em 14,25%, o aluguel caiu. A correlação só vale quando a economia está funcionando.

O teto que sobe

+237%

O índice FipeZAP de aluguel em São Paulo desde 2008. A inflação oficial no mesmo período? Bem menos. Morar ficou mais caro que viver.

O termômetro do emprego

14,9%

Pico de desemprego foi no primeiro trimestre de 2021, em plena pandemia. Mais de 1 em cada 7 brasileiros procurando trabalho e não achando.

Capítulo 4

O que os números revelam

Em 2005, um salário mínimo comprava 1,5 cestas básicas em São Paulo. Em 2025, compra 1,8. O mais básico melhorou. Mas pergunte pro cara que paga aluguel em capital se ele tá vivendo melhor. O mínimo compra mais arroz e feijão — isso os dados mostram. O que eles não mostram é o que ficou mais caro sem ninguém medir direito.

Fonte: Cálculo com dados oficiais do BCB e DIEESE

Selic × Inflação — o cabo de guerra que define sua vida financeira

Quando o Banco Central sobe o juro, a inflação tende a ceder. Mas demora. E o custo é alto — crédito caro, economia travada, emprego sumindo.

Selic
IPCA

O ciclo que ninguém quebra

Juro sobe, crédito encarece, família se endivida, inadimplência explode, economia freia, governo baixa juro, crédito barateia, família se endivida de novo. Repete.

Selic
Endividamento
Inadimplência

(dados de inadimplência disponíveis a partir de 2011)

O que os dados contam

O salário subiu, mas...

+484%

O mínimo quase quintuplicou em 20 anos. Mas vai no site de aluguel e procura um apartamento com esse salário. A matemática não fecha.

O elefante na sala

R$ 2,69 → R$ 5,45

O dólar mais que dobrou. Tudo que vem de fora — eletrônico, remédio importado, peça de carro, passagem aérea — ficou proporcionalmente mais caro. Quem viajou pra fora em 2005 sabe do que eu tô falando.

A conta que não fecha

49,9% da renda

O brasileiro deve quase metade do que ganha no ano inteiro. Recorde histórico. O salário subiu, mas a dívida subiu junto.

Quando param de pagar

Pico de 4,0%

Inadimplência não é só número — é gente que parou de conseguir pagar. E quando muita gente para ao mesmo tempo, o sistema inteiro trava.

Este projeto é open source. Todo o código do pipeline de dados e do dashboard está disponível no GitHub.

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